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Organizando o abandono das Big Techs e dos Big States

Versão 0.3.0 - 2026-04-05

Em concepção

Documentação em concepção.

Aplicabilidade

Muito do que é dito aqui se aplica também a outras atividades autogeridas, não somente a "data centers" e "servidores".

Slides disponíveis

Versão para apresentação em slides disponível aqui.

Introdução

Este texto trata sobre como vazar das dos sistemas controlados por megacorporações através da autogestão de nossos próprios datacenters, infraestruturando nossa autonomia.

Discorre sobre como efetivamente abandonar as "Big Techs" -- e por quê não, também, no futuro, os "Big States"? --, dependendo cada vez menos dos seus sistemas anti-sociais ao usar, apoiar e contribuir com iniciativas autogestionadas de infraestruturas computacionais.

O conteúdo está inserido numa perspectiva histórica do que já foi tentado, o que deu certo, o que não deu certo, o que vale tentar e o que é bom evitar.

Não se trata aqui de um texto completo, abarcando tudo o que é importante e prioritário, nem que resolva todas as questões. É mais um apanhado geral que talvez possa contribuir com esta longa caminhada.

Material adaptado a partir de pesquisa feita para um trabalho sobre informação, suas armadilhas e possíveis saídas1.

Contexto

O quê?

O desafio: fazer com que manter "datacenters", "servidores" e "serviços" seja cada vez mais fácil, para que essa prática se difunda e seja mais comum.

Mas sem cair na lógica da servidão e da centralização...

Tem gente que vai defender datacenter soberano, "nuvem" pública ou do governo etc.

Esta nossa conversa terá outro enfoque: soluções comunitárias de baixa escala, mas que podem ser difundidas, fazer volume e assim ganhar escala, organicamente. No espírito dos chamados Coletivos Técnicos Radicais (ou RTCs).

Por quê?

Big Techs são grandes doenças planetárias que se apresentam, na aparência, como sistemas de computação para organizar a informação do mundo e conectar as pessoas.

Assim como quem não tem plano acaba nos planos de alguém, quem não se organiza acaba tendo sua organização definida por terceiros.

A agenda das Big Techs não é a nossa agenda, muito pelo contrário. Elas concentram poder econômico demais, e agora surfam no poder político, tendo suas operações comparáveis a grandes países.

Nos já fizemos um breve histórico tanto da opressão técnica quanto de iniciativas autônomas recente. A partir disso, podemos considerar melhor os próximos passos.

Proceder

Como?

Dada a imensidão pela qual a influência e dominância das Big Techs e dos Big States se espalham, parece quase impossível criar alternativas, ainda mais se essas alternativas não sejam um mero espelho, iguais mas com sinal trocado, e portanto com os mesmos problemas estruturais.

Aqui porém o nosso exercício será mostrar, a partir do que foi aprendido por experiências existentes ou pregressas assim como potencialidades já disponíveis, que é viável experimentar e tentar dar esse salto em direção à autonomia na informática e computação digitais.

Apesar de que, a cada dia os grandes monopólios e os governos fazem esse trabalho mais difícil, o acúmulo de conhecimentos e a disponibilidade de alguns dos recursos necessários operam no sentido contrário de facilitar a criação e operação de datacenters.

Fácil ou difícil?

Vai ser tão difícil ou trabalhoso quanto o trabalho e a responsabilidade ficarem na mão de pouca gente...

A partir de agora, não trataremos de heróis, personalidades, "influenciadores", ídolos, líderes, hackers ou "gênios" da computação.

É bom ter referências, mas igualmente importante tomar cuidado para não se tornarem ideais impossíveis e neutralizadores.

A ênfase aqui será no trabalho coletivo dedicado e organizado, cujos frutos são compartidos coletivamente.

Dá bastante trabalho... se souberem de uma maneira menos trabalhosa, nos avisem :)

Paralelo

Um paralelo deste desafio de vazar das Big Techs pode ser feito com o famoso romance "Os despossuídos", de Ursula K. Le Guin2, ambientado nos planetas Urras a Anarres num fictício sistema solar distante 11 anos luz da Terra.

Urras, um planeta exuberante mas no entanto dominado pelo paradigma do totalitarismo.

Anarres, um planeta não tão biodiverso, mas inicialmente inabitado.

Uma dissidência em Urras consegue uma espécie de salvo-conduto para emigrar para Anarres e lá estabelecer uma sociedade de molde anarquista.

Longe de querer esgotar toda a riqueza desse livro, ressalta o isolacionismo da sociedade liberta de Anarres em comparação com as populações exploradas e oprimidas que permaneceram em Urras, assim como o trabalho duro de tornar Anarres mais habitável e também de bancar a responsabilidade individual de cada pessoa contribuir com o coletivo.

Vazar das Big Techs e dos Big States se assemelha a essa migração para um outro planeta, mas diferentemente dos projetos dos atuais bilionários astronautas que estão destruindo nosso mundo ao mesmo tempo em que tentam fugir dele para implantar seus anseios colonialistas em outros planetas, aqui trata-se de criar e manter relações de respeito, reconhecimento e pertencimento sem opressões de qualquer tipo.

Sair aos poucos de Urras, ou mesmo da Babilônia das Big Techs e dos Big States, nesta etapa, significa que algumas pessoas ficarão para trás por um tempo, não porque queiramos, mas pelo próprio processo de saída.

Uma vez na utopia em construção da Anarres das Little Techs, é importante não se esquecer do mundo que foi deixado. O isolamento total não é bom. Vai ser preciso manter comunicação com as pessoas do outro planeta, para apoiá-las seja numa migração seja numa luta por libertação onde quer que estejam.

Havendo migração em massa, ou lutas emancipatórias dentro do sistema opressor, é de se esperar que haja repressão, como a que houve em Palmares, em Canudos ou em tantos outros lugares. Daí a importância da segurança e da privacidade.

Este breve paralelo tratou então resumidamente sobre a importância de correr em paralelo na construção de infraestruturas autômas enquanto as lutas para emancipação ocorrem paralelamente às explosiões e derretimentos nas e pelas Big Techs.

Os paralelismos ficcionais e históricos rendem muita conversa, mas deixaremos eles suspensos por agora ao nos voltarmos às questões mais práticas para pôr os muitos planos em ação, para usar mais uma metáfora geométrica.

Temporalidade

Não precisamos nos prender a uma única maneira de abandonar as Big Techs e os Big States. Aqui segue uma sugestão prática para ajudar nossa imaginação.

Começaremos esse exercício simplesmente ficando um tempo sem pensar nas Big Techs e nos Big States, aliviando um pouco nosso pensamento para focar naquilo que podemos fazer.

Em seguida, poderíamos desinvestir o tempo gasto nas "plataformas" das Big Techs, por exemplo todo aquele tempo passado rolando e enrolando nas fontes infinitas das redes anti-sociais, e redistribuindo-o ou redirecionando-o para tanto usar quanto colaborar com alternativas livres.

Parte desse gasto atual ocorre tanto em nosso tempo "livre" quanto no tempo de trabalho remunerado.

Assim, para que consigamos desinvestir para re-investir, é preciso considerar uma mistura tanto trabalho de financeiramente remunerado quanto não remunerado:

  • Algumas pessoas já tem tempo livre suficiente para participar voluntariamente.
  • Enquanto outras pessoas só conseguirão participar caso recebam apoio de custos.

Num mundo perfeito, seria possível usar apenas trabalho voluntário, mas nas condições atuais é importante pensar também na sustentação e liberação de pessoas, para que possam se dedicar mais.

Tal remuneração pode vir como bolsas de estudo/estágio, salário etc, ou mesmo como doações de particulares que ajudem a liberar o tempo de muita gente.

Há uma longa discussão sobre trabalho remunerado e voluntário, parte dela documentada nos arquivos do Encontro: Cultura Livre e Capitalismo3, preservada numa coletânea de textos4 e sistematizado em texto5.

Se o melhor cenário seria não precisar se preocupar com a remuneração de ninguém, o segundo melhor cenário seria contar com financiamento da própria coletividade -- por exemplo da classe trabalhadora ou grupo de interesse. Cenários que dependem de instituições financiadoras e órgãos de fomento são mais complexos, cabe aqui reforçar o seguinte aprendizado6.

Não há quem financie que não tenha uma agenda política. Então arranje alguém que tenha uma agenda política que seja a mesma da sua, tem de descobrir isso. E aí comecei a pensar que para você conseguir pegar dinheiro de alguém que tenha uma agenda política distinta, você tem de ter uma capacidade de visão de realidade superior a essa entidade, de modo que você consiga vislumbrar usos positivos que contrabalancem os usos negativos da apropriação da sua inovação.

Territorialidade

Falamos brevemente de como criar tempo para operar a migração. Mas e com relação ao espaço?

Como já mencionado na apresentação, a infraestrutura digital é física e precisa ficar em algum lugar, ou seja, necessita de um território.

Tais territórios operam melhor quando abrigam e são defendidos por pessoas. O mesmo acontece com as máquinas num datacenter: serão defendidos pelas pessoas quando abrigarem os dados delas.

Podemos pensar tanto e pequeníssimos datacenter no território doméstico da casa de uma pessoa -- usando por exemplo pequenas computadores pessoais reutilizados --, assim como centros sociais, edifícios, vilas e comunidades.

Encontros

Os territórios viabilizam encontros.

Não é obrigatório fazer encontros presenciais constantes para manter um datacenter, muito menos exigir que alguém só possa participar de um projeto se puder comparecer pessoalmente em reuniões.

Por outro lado, pelo menos alguém terá de ir até o território onde está o datacenter para fazer manutenção.

Melhor do que isso: a ida ao data center é uma oportunidade de encontros, trocas e difusão de conhecimento.

Muitas vezes o que ocorre em presença próxima é mais importante do que aquilo que é feito remotamente.

Uma das principais funções do data center, além da preservação da memória coletiva, é a viabilização dos encontros entre que está longe e quem estar perto.

Criar e participar de coletivos locais de infraestrutura ajuda a realizar encontros regulares no território.

Caso você ou seu grupo não participe ou coabite um mesmo território, uma opção é buscar centros sociais existentes que possam abrigar um datacenter e também se beneficiar com isso.

Uma regularidade nos encontros é importante para manter a coesão e a sintonia. Por exemplo:

  • Mutirões e oficinas aos finais de semana, ou uma festa da pizza às sextas-feiras etc). Caso notável: Raul Hacker Clube lá em Salvador.
  • Durante a semana, a organização e a comunicação usando as próprias redes e sistemas autônomos longe das Big Techs.

Caminhadas

Uma vez que encontros sejam viabilizados, vem a questão de como caminhar coletivamente na migração para longe das Big Techs e dos Big States.

Recomenda-se inicialmente adotar uma estratégias da redução de danos e da terapia coletiva ao redor de um datacenter:

Atitudes mais radicais, como largar as ferramentas tecnotóxicas logo de cara, podem ser mais difíceis de sustentar, levando a síndromes de abstinência ou outros efeitos da dependência prolongada; também torna difícil a vida prática de contatar pessoas que ainda não deixaram de usá-las.

Indo aos poucos, mantendo uma espécie de "vida dupla" temporária, por mais que tenha um custo cognitivo adicional, permite que a nova vida digital seja construída enquanto a anterior vai sendo esvaziada.

Fazer isso junto com outras pessoas não garante apenas que haja com quem interagir no mundo novo, como estabelece um reforço coletivo de apoio mútuo.

Como naquele antigo provérbio no espírito de várias culturas, por exemplo em África, "se quiser ir rápido, vá só; mas se quiser ir longe, vá junto"7.

Topologias

Temporalidades, territórios e caminhadas. Nosso próximo assunto será sobre as viagens, tanto de pessoas quanto de mensagens.

Temos já algum conhecimento acumulado das topologias de rede -- os "desenhos" ou formações dos territórios em rede -- mais ou menos propícios para sociedades emancipatórias.

  • A famosa imagem do estudo de Paul Baran8:

Topologias de rede

  • 2012: "Redes eventualmente conectadas" (Baobáxia):

    • "Fazer do nosso jeito".
    • Mistura de redes de dados com pessoas viajando entre as comunidades.
    • Os enlaces de longa distância são reforçados por laços presenciais.
    • Isso é um retorno ao que Walter Benjamin, em seu ensaio crítico sobre informação9, diz sobre viajantes e contadoras de histórias.
  • Redes híbridas: parte descentralizadas, parte distribuídas:

    • Muita distribuição:
      • Reduz hierarquias, distribui o poder.
      • Aumenta a autonomia.
      • Mas pode ser muito dispersiva.
    • Já a centralidade:
      • O importante da centralidade é atuar como um ponto de encontro, de troca, articulação etc.
      • Assim como cidades não são feitas somente de vielas, vias, ruas, mas precisam de praças, de coretos, de marquises, bibliotecas, centros sociais e outros locais de encontro; similar função cumpre os nós mais centrais das redes.
      • Os pontos centrais não podem atuar como censores ou cerceadores; há uma fina linha que separa os pontos nodais entre serem filtros de mensagens ou censores e bloqueadores da comunicação.
    • Assim, é importante considerar:
      • Um equilíbrio entre distribuição e descentralização.
      • Que as conexões possam ser refeitas sempre necessário, mudando o desenho da rede, sem a exigência e que as relações sejam fixas, mas respeitando as liberdades de associação e desassociação.

Federação

  • Descentralizar ou distribuir implica em algum tipo de coordenação entre os pontos da rede, por exemplo do tipo federado.

  • A coordenação pragmática é obtida pelo uso de protocolos, prevendo modos de operação e compartilhamento.

  • Por sobre esses protocolos, ocorre a comunicação nem sempre prevista por protocolos.

  • A política está em todas essas camadas...

Verticalidade e horizontalidade nodal

Duas maneiras de operar um "nó" ou uma seção da rede:

  • Horizontalmente: o coletivo só vai cuidar de uma ou algumas "camadas" da infraestrutura, fazendo parcerias com outros coletivos que operem as outras camadas, ou mesmo terceirizando algumas camadas para empresas...
  • Verticalmente: o coletivo cuida do máximo número possível de camadas, desde o espaço do datacenter até o suporte técnico e todo o resto.
  • Verticalidade e horizontalidade entendidas aqui na divisão de trabalho, não na tomada de decisões (hierarquia)
  • Verticalidade envolve mais autonomia local, porém mais trabalho para uma equipe.
  • Horizontalidade implica em mais dependência entre coletivos, porém alivia o trabalho de uma equipe, além de ter benefícios de ganho de escala (equipes focadas e especializadas).
  • Não há muito certo e errado nisso...

Perigos!

Há uma série de perigos que precisamos considerar antes de começar.

Assim conseguimos, se não evitá-los, ao menos mitigá-los.

Entre uma geladeira e uma UTI

  • Primeiro perigo: a infra não pode ser excessivamente trabalhosa para manter.

  • Mas ela dificilmente será tão simples quanto operar uma geladeira.

  • Não é algo para ligar e esquecer que existe. Mas não pode ser algo que não paramos de pensar, que tira nosso sono, que nos impede de fazer outras coisas.

  • Essa analogia não considera os ataques à infraestrutura em vários níveis e escalas (ninguém usualmente ataca a geladeira dos outros ou tenta dificultar a operação de uma UTI, etc).

  • Hoje, o trabalho técnico de manter datacenters é semelhante ao de cuidador(a), sempre monitorando e intervindo quando algo não está bem10.

  • A aparente praticidade da computação pessoal, com laptops, smartphones, roteadores wireless e até totens de espionagem como o "Amazon Alexa" escondem um trabalho técnico intenso que ocorre por trás, e uma cadeia de produção sinistra. Exemplo: Anatomy of an AI System.

  • O desafio é ter computação comunitária de baixa intensidade, baixo impacto e alta relevância.

  • Um pouco mais como uma geladeira, muito menos do que uma UTI, sobretudo gerido coletivamente, para não sobrecarregar nem invisibilizar ninguém.

  • Ainda não chegamos lá, mas pode ser um caminho frutífero!

A Extinção dos Orelhões

  • Segundo perigo: a obsolescência.

  • Acontece principalmente quando uma tecnologia pública fica sob controle estatal e/ou empresarial.

  • Orelhão:

    • Símbolo da comunicação pública e inclusiva, ainda que controlado por empresas estatais ou privadas.
  • Orelhão 2.0: seria possível ter um sistema público do tipo Minitel:

    • A casca do orelhão com um laptop conectado, ao invés do desastre que é forçar cada pessoa a andar sempre com um mini-computador espião consigo.
    • Não seria um sistema totalmente seguro de ponta a ponta, mas poderia ter suporte a tokens criptográficos e outras funcionalidades hoje já disponíveis.

Projeto original do orelhão

Os dilemas da equipe técnica

  • Terceiro perigo: esgotamento.

  • Administração de sistemas é muito complicada, não exatamente por uma complexidade intrínseca da atividade, mas por ser tendencialmente frustrante: quando tudo está funcionando, ninguém se lembra do esforço da equipe administrativa; basta que algo saia do ar por alguns minutos para que todo mundo cobre a equipe o motivo e peça uma resposta rápida.

  • A equipe técnica corre o risco de ser excluída da política. sobrecarregada e relegada apenas a cuidar da infraestrutura. Melhor seria se não houvesse essa diferenciação de cargos "técnicos" e "políticos", especialmente havendo rodízio nos cargos e atribuições, compartilhando a chance de aprendizado e exercício.

  • A equipe técnica pode acabar excluindo a política da técnica. É muito comum que esse trabalho infelizmente acabe centralizado em pouca gente, que de tão cansada não tem paciência de decidir e explicar tudo com outras pessoas.

  • Cuidado então para não haver uma exclusão política de ambos os lados (se é que é pra ter lado e esse tipo de diferenciação...).

  • Riscos de esgotamento ("burnout") pela da sobrecarga, alienação, necessidade de atualização constante, preocupação com segurança e privacidade para além do normal, não dar conta de tudo e ainda ter que lidar, muitas vezes, com assédios e outras (o)pressões.

Os dilemas do federalismo

  • O quarto perigo está na gestão comum das redes.

  • A Tragédia do Comum:

  • Esforços coletivos para manter uma rede em funcionamento saudável são minados pelo parasitismo, boicote ou sabotagem, especialmente sob a égide do individualismo e do ultra-hiper-mega-blaster-liberalismo da Legião da Má Vontade ("cada um com seus problemas").

  • O Dilema das Atualizações: dificuldade de tomar decisões propagar atualizações dos protocolos entre redes autônomas, dificultando a "inovação", ou dinfundí-las a partir e um único centro autoritativo, rompendo com a participação externa:

    • Texto (lamentável) do Moxie a respeito (2016): Signal >> Blog >> Reflections: The ecosystem is moving
    • Projeto Tor tem um sucesso relativamente bom nesse sentido:

      • Opera de maneira centralizada-distribuída e com algoritmos de consenso de rede.
      • De trabalhar conjuntamente com sua comunidade para garantir que a rede se atualize.
    • IETF (Internet Engineering Task Force) assim como outros órgãos conseguem viabilizar decisões, porém estão infestados pelas corporações e seus interesses.

Colonialismo pré-instalado

  • Quinto perigo: o colonialismo pré-fabricado e o desafio para a descolonização técnica.

  • "As ferramentas dos mestres jamais desmantelarão a casa do mestre"11:

For the masters tools will never dismantle the masters house. They may allow us temporarily to beat him at his own game, but they will never enable us to bring about genuine change. And this fact is only threatening to those women who still define the master's house as their only source of support.

  • Mas as ferramentas que estamos usando e criando neste momento (e das quais dependemos) tem por base as ferramentas dos mestres...

  • Como comenta Cory Doctorou a respeito da internet12,

Audre Lorde was far smarter than I am about nearly everything, but when she wrote “The master’s tools will never dismantle the master’s house,” she was manifestly wrong. The master’s tools were used to build that house in the first place -- that makes them the ideal tools to take it to bits and rebuild it to shelter us.

  • Mesmo com a crítica afiada, corremos o risco todos os dias de usar tecnologias com pressupostos colonialistas, que podem acabar contidas até nos softwares livres.

Monocultura versus sustentabilidade

  • Tendência de consolidação de alguns sistemas, protocolos, práticas etc em detrimento de outros.

  • A redução da diversidade de uso de softwares e outras práticas culturais não é boa, não só por estreitar pensamentos e atitudes, mas inclusive em termos de segurança.

  • Por outro lado, a escassez de recursos para manutenção acaba fazendo com que muitas comunidades de software acabem migrando para poucos sistemas.

  • Debate que segue em aberto.

Aprendizados

Agora que temos já uma noção geral do que consiste o abandono das Big Techs e dos Big States, assim como os principais desafios, podemos passar para um detalhe dos aprendizados bem práticos que recolhemos ao longo dos anos.

Notas e referências


  1. Rhatto, S. (2025). A triste história da informação: A nova bomba atômica e o lixo da indigência artificial (Vol. 4). Publicações Vertiginosas. https://informacao.fluxo.info

  2. Le Guin, U. K. (2017). Os despossuídos. Editora Aleph.; Le Guin, U. K. (2019). Os despossuídos. Editora Aleph.. 

  3. Encontro: Cultura Livre e Capitalismo. (2015). Encontro: Cultura livre e capitalismo (espelho). https://encontro.fluxo.info/Principal/CulturaLivreECapitalismo; Encontro: Cultura Livre e Capitalismo. (2011). Encontro: Cultura livre e capitalismo (arquivo). https://web.archive.org/web/20150429050632/https://encontro.sarava.org/Principal/CulturaLivreECapitalismo

  4. Assumpção, A., Abdo, A., Youssef, A., Cava, B., Torturra, B., Prado, C., Flaubert, E., Corrêa, F., Ferron, F. M., Adams, G., Cocco, G., Parra, H. Z. M., Carneiro, H., Bentes, I., Correa, J. C. M., Jr., J. A., Vinicius, L., Ortellado, P., Palavra, P., ... Skárnio, T. (2013). Movimentos em marcha: Ativismo, cultura e tecnologia. Publisher/Kernel. https://emmarcha.milharal.org

  5. Saravá, G., Caminati, C., Diniz, R., & Rhatto, S. (2024). A apropriação energética e simbólica. In S. Rhatto (Ed.), Saraventos. Publicações Vertiginosas. https://saraventos.fluxo.info/apropriacao.html

  6. Parra, H., Tible, J., Rhatto, S., & Almeida, M. (2015). Saravá! Tecnpolítica e organização. In Cartografias da emergência: Novas lutas no brasil (pp. 136--163). Friedrich Ebert Stiftung. https://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/12092.pdf págs. 153-156. 

  7. Discussões sobre a oriem do provérbio "se quiser ir rápido, vá só; mas se quiser ir longe, vá junto": Who first said: if you want to go fast, go alone; if you want to go far, go together? | Andrew Whitby; phrase origin - Where does this proverb come from? “If you want to go fast, go alone, if you want to go far, go together” - English Language & Usage Stack Exchange; Were The African Proverbs Mentioned At The DNC Really African Proverbs? : Goats and Soda : NPR

  8. Baran, P. (1962). On distributed communications networks. RAND Corporation. https://doi.org/10.7249/P2626, pág. 4. 

  9. Benjamin, W. (2007). Illuminations. Schocken Books. Cap. "The Storyteller", comentado em Rhatto, S. (2025). A triste história da informação: A nova bomba atômica e o lixo da indigência artificial (Vol. 4). Publicações Vertiginosas. https://informacao.fluxo.info

  10. Vide Monserrate, S. G. (2022). The cloud is material: On the environmental impacts of computation and data storage. MIT Case Studies in Social and Ethical Responsibilities of Computing. https://doi.org/10.21428/2c646de5.031d4553, seção "The Cloud is Cultural", sobre os "caretakers" de datacenters. 

  11. Lorde, A. (1984). Sister outsider: Essays and speeches. The Crossing Press. e Lorde, A. (2007). Sister outsider: Essays and speeches. The Crossing Press., pág. 112. 

  12. Doctorow, C. (2025). Enshittification: Why everything suddenly got worse and what to do about it. MCD. https://us.macmillan.com/books/9780374619329/enshittification/ -- Cap. "Conclusion: Is Enshittification Just Capitalism".